quinta-feira, 24 de abril de 2008

A preterida




Desde pequena os melhores brinquedos eram dados à sua irmã. Na adolescência, os rapazes mais bonitos sempre se interessavam pela sua melhor amiga. Quando começou a trabalhar, os cargos que ofereciam melhores condições nunca lhe eram destinados, apesar de seu currículo escolar invejável. Agora, no auge de seus 30 anos, é a única da turma e da família ainda solteira. Nunca teve ao menos um namorado para apresentar, nem uma profissão da qual tivesse orgulho de comentar. Sua vida era uma sucessão de dias sem graça. Trabalho, casa, igreja...
No final de semana seguinte iria haver uma grande festa em sua cidade. Todos estavam alvoroçados, menos ela. Afinal, ninguém nunca a escolhia para dançar mesmo. Entretanto, chegado o dia, algo a impulsionou. Vestiu sua melhor roupa, penteou-se e saiu apressada. Sentia um aperto no peito e quanto mais caminhava mais a sensação ruim a perseguia. Finalmente, quando chegou, pôde avistar a multidão que se formava em volta da mesa farta. A música agitada estava no último volume e todos conversavam, sorriam e alguns pares dançavam.
De rente, um carro desgovernando adentrou a festa e atingiu a moça, pressionando-a contra o muro. Ela sorriu, suspirou e abandonou a vida certa de que pela primeira vez, ela fora escolhida dentre muitos.


Simone Batista

Um comentário:

Carolina disse...

Al principio sentía pena, pero al final... ¡Vaya golpe de efecto más bueno! Aunque sea triste y macabro es una genialidad.

Besos

Tu amiguita Carolina