terça-feira, 24 de agosto de 2010
Tarja Preta
Quando a mãe entrou no ônibus e o senhor sentando à minha frente estendeu o braço para o menino e o colocou no colo, tive um ataque de pânico. Mãe, tira ele daí. Uma angústia repentina tomou conta de mim e eu já não prestava atenção na música que tocava em meu fone de meu ouvido. Inquieta, olhava para todos os lados. Meus olhos se encheram de água e eu lutei para não deixá-las transbordar. As pessoas ao meu lado já haviam percebido meu desespero e me encaravam com estranhamento. Cada vez que ele ajeitava a criança, erguendo-a no colo, eu sufocava ainda mais. E quando ele ajeitava o uniforme, passando a mão na altura do peito do garoto eu virava o rosto bruscamente para não ver a cena. Que ele seja bom, que ele seja bom... A mulher foi até o cobrador pagar a passagem e deixou-os sozinhos. Não acreditei naquela atitude. Como pode? Eu rezava em silêncio para alguém levantar e ceder o lugar aos dois. Isso não aconteceu, mas o senhor desceu logo, não sem antes tocar o braço do menino mais uma vez antes de sair do coletivo. Comecei a questionar minha sanidade. Eu não estava vendo nada demais, estava? Tarja preta.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Peace & Love

Deitada no sofá e embrulhada com um lençol branco, aninhei-me no seu colo e adormeci nos seus braços.
O tempo parou.
Eu já não estava triste e muito menos angustiada com a separação iminente. Sem pressa, apaguei por alguns minutos. Nunca uma sensação de conforto e paz esteve tão presente na minha vida e por decorrência das atribulações dos últimos dias, estes sentimentos estavam bem distantes da minha realidade.
Como foi bom não pensar em nada! Sentir-me aquecida e protegida, apenas por sentir um braço repousado sobre o meu quadril.
Cheiro de casa, gesto de carinho. Sopro gélido, sol fraco de tarde de outono.
Ao acordar, soube que vinte minutos já haviam se passado. Pouco para um cochilo, muito para uma alma cansada.
Simone Batista
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Para que lo sepas...

Cada vez que pienso en ti
una gran sonrisa ya se me figura.
Tu rostro - tan guapo me parece a mí
que mirarlo es la tortura.
Me reemplazaste el platónico por la realidad
y fuíste sin saberlo mi salvación.
En una sola persona, amor y amistad;
Sin mentiras o ilusión.
Una vez me lo preguntaste cuanto te quería
y te enfadastes cuando te contesté
que te amaba más de lo que debería.
No creas que desdeño nuestra relación.
Simplemente tengo miedo de volverme loca...
pues si me dejas, mi vida otra vez pierde la razón.
Simone Batista
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Herdeiro da dor e da beleza
Olhos grandes, verdes.
Cabelos escorridos e tom de trigo.
Um rosto angelical,
marcado por uma profunda fenda palatal.
Lágrimas me vieram aos olhos imediatamente...
mas não por piedade!
Apenas porque prevejo com tristeza
que te tratarão com maldade
por não entenderem tua beleza.
Tão pequeno ainda
e já marcado para enfrentar zombarias...
mas eu vejo sua alma
e sei que serás feliz um dia.
Mãe, não chore por teu filho,
abençoado ele é,
ainda que encontre mil empecilhos
o gracioso herdeiro de Javé.
Cabelos escorridos e tom de trigo.
Um rosto angelical,
marcado por uma profunda fenda palatal.
Lágrimas me vieram aos olhos imediatamente...
mas não por piedade!
Apenas porque prevejo com tristeza
que te tratarão com maldade
por não entenderem tua beleza.
Tão pequeno ainda
e já marcado para enfrentar zombarias...
mas eu vejo sua alma
e sei que serás feliz um dia.
Mãe, não chore por teu filho,
abençoado ele é,
ainda que encontre mil empecilhos
o gracioso herdeiro de Javé.
Simone Batista
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