terça-feira, 21 de outubro de 2008

Meu corpo... seu livro...


Tentei ser diferente, me mostrar mais confiante, criativa, moderna...
O preço que paguei foi caro... mas já esperado, afinal eu sabia o risco que estava correndo.
Qual o preço de um beijo após dois meses de expectativa?
Qual o valor de uma palavra mediante dois meses de ilusão?
Prometi que não ia quebrar, mas como vê, não consegui cumprir.
E agora José? Não é essa a pergunta que não quer calar?
Gostei de você desde a primeira vez que te vi. E ainda gosto.
Você não me conhecia e mesmo estando ao meu lado por diversas vezes, não conheceu e nem vai conhecer.
Cheguei a conclusão de que odeio as pessoas muito educadas. Prefiro as que dizem na sua cara: Não gosto de você. Para mostrar minha indignação, um "como assim" não bastaria. Lutei contra minhas próprias barreiras para que você também as pudesse quebrar. E quebrou... o encanto, a ilusão, eu.
Qual o preço do meu corpo? Um livro? Meu corpo nem importa mais, ele já era teu. Mas o sorriso que eu te dedicava sinceramente, virou apenas um "tá tudo bem".
Apesar de ser boa moça, porque insistem em me colocar no papel de má? Sentimental demais? Talvez... mas como classificar a frase: Gosto de você, mas não quero te magoar? Quem gosta não magoa, pelo menos não "pensadamente".
Quanto vale um obrigado?
"Portuguesa" sou, mas não de propósito. Gosto de acreditar que posso acreditar nas pessoas. Mas como minha mãe sempre me alertou: "Não fale com estranhos!".

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

A promessa


Era uma manhã chuvosa. A neblina densa encobria todo o céu da pequena vila. Não havia viva alma pelas ruas. As pessoas dormiam tranqüilamente, talvez algumas sonhassem com um dia de sol numa praia paradisíaca, outras, no entanto, olhavam a chuva fina que caía pelas suas janelas com o olhar perdido numa melancolia profunda. Mas nesse momento, alguém sorria feliz.
Na última casa da rua, uma jovem de tranças negras rodopiava de alegria. Seu pai acabara de falecer e o corpo ainda repousava inerte sobre a cama. Seu riso ecoava pelas paredes frias da sala. Não haveria mais gritos, surras ou abusos. Passados longos vinte e sete anos, finalmente chegara o tão esperado dia e a única coisa que conseguia fazer era rir, rir muito, até não poder mais. Neste ínterim, ouve-se um choro. Ela voltou-se na direção do barulho e viu seu filho de apenas três anos parado no topo da escada com o olhar estarrecido como de quem não acredita no que acaba de ver. Sem o mínimo de compaixão ela saiu pela porta para não mais voltar. A criança entendeu que não veria mais a sua mãe. Desceu as escadas e correu para a rua a fim de encontrá-la. Por ainda não ter uma percepção aguçada, não notou que um carro em alta velocidade vinha em sua direção. Em poucos instantes seu corpinho franzino jazia morto no chão. A mãe viu toda a cena ao longe, mas por haver prometido a si mesma que nunca mais se prenderia a algo ou a alguém, continuou a caminhar sem se importar com seu único filho ali atirado ao chão como um pobre indigente...

Simone Batista