- Eu amo você.
- Você não disse com muita convicção.
- Eu amo você!
- E você acha que eu vou acreditar nisso?
- Eu já disse, eu realmente amo você!
- Como vou saber se essas palavras são verdadeiras?
- Olha, se você acha que eu estou mentindo é problema seu.
- Nossa! Que jeito de falar! É desse modo que você diz me amar?
- Amo você! Amo você! Amo você!!! Está bem assim?
- Não precisa gritar! Assim você só prova o que eu já sei. Você não está nem aí para mim...
- Ah, meu Deus! Por favor não comece a choramingar.
- Você não se importa com os meus sentimentos.
- Que tal se a gente for dormir e discutir isso amanhã?
- Não! Tem que ser agora!
- Pois bem, fale!
- Falar o quê? Você é quem tem que me dizer algo.
- Eu?
- Viu só? Você não se esforça para mostrar que ainda se importa comigo.
- Mas eu acabei de dizer que te amo.
- Palavras vazias.
- Ok. Então o que você quer de mim?
- Oras! Você não entende nada mesmo.
- Se você me desse uma dica do que se passa nessa cabeça, talvez eu entendesse.
- Estamos juntos há 5 anos e você não me conhece.
- Claro que conheço! Você me fez decorar o nome de todos os seus cantores favoritos, do seu prato predileto, todas as datas que você considera importante e por aí vai...
- Do jeito que você fala parece que eu te obriguei a isso.
- Amor, essa discussão nós já tivemos um milhão de vezes. Você não precisa levantar cedo amanhã?
- Não mude de assunto!!!
- Você conseguiu me tirar do sério! Não quer dormir? Ótimo! Estou saindo.
- Onde você vai?
- Dormir em algum lugar tranquilo.
- Ah, eu sabia! Você só queria uma desculpa para me trair. Bem que minha mãe me avisou que você não prestava...
- Eu não vou aguentar outra ceninha.
- É mesmo? E vai fazer o quê?
- Não me provoque. Meu dia foi péssimo e eu não estou com paciência hoje.
- Como se o meu dia tivesse sido uma maravilha também! Acabei de descobrir que a pessoa pela qual me dediquei todos esses anos não me ama mais.
- Eu amo você... mas receio estar com uma vontade enorme de te matar neste exato momento.
- Como é? Me ama, mas quer me matar? Que raios de amor é esse?
- Olha que não é má idéia...
- Você está me assustando!
- Creio que já tenho a prova de amor perfeita para lhe dar.
- Não estou gostando nada dessa estória e muito menos dessa expressão no seu rosto. Ei! Para que você precisa dessa arma? Abaixe isso agora mesmo.
- Vou te livrar da pior coisa que lhe aconteceu na vida.
- Não faça isso, pelo amor de Deus! Pense em nós e em tudo o que vivemos!
- Sua mãe estava certa, eu não presto.
- Não é verdade... Calma! Vamos conversar...
- Mas já estamos fazendo isso, benzinho.
- Não faça essa besteira. Não se mate. Prometo que não vamos mais brigar.
- Me matar? Por que você achou que eu faria isso?
- É que... você disse... disse que ia se livrar da pior coisa que havia me acontecido... então, eu pensei que...
- Pensou errado. A pior coisa que lhe aconteceu na vida foi ter nascido.
...
- Boa noite.
Simone Batista