terça-feira, 17 de novembro de 2009

Fragmentos

- Eu amo você.

- Você não disse com muita convicção.

- Eu amo você!

- E você acha que eu vou acreditar nisso?

- Eu já disse, eu realmente amo você!

- Como vou saber se essas palavras são verdadeiras?

- Olha, se você acha que eu estou mentindo é problema seu.

- Nossa! Que jeito de falar! É desse modo que você diz me amar?

- Amo você! Amo você! Amo você!!! Está bem assim?

- Não precisa gritar! Assim você só prova o que eu já sei. Você não está nem aí para mim...

- Ah, meu Deus! Por favor não comece a choramingar.

- Você não se importa com os meus sentimentos.

- Que tal se a gente for dormir e discutir isso amanhã?

- Não! Tem que ser agora!

- Pois bem, fale!

- Falar o quê? Você é quem tem que me dizer algo.

- Eu?

- Viu só? Você não se esforça para mostrar que ainda se importa comigo.

- Mas eu acabei de dizer que te amo.

- Palavras vazias.

- Ok. Então o que você quer de mim?

- Oras! Você não entende nada mesmo.

- Se você me desse uma dica do que se passa nessa cabeça, talvez eu entendesse.

- Estamos juntos há 5 anos e você não me conhece.

- Claro que conheço! Você me fez decorar o nome de todos os seus cantores favoritos, do seu prato predileto, todas as datas que você considera importante e por aí vai...

- Do jeito que você fala parece que eu te obriguei a isso.

- Amor, essa discussão nós já tivemos um milhão de vezes. Você não precisa levantar cedo amanhã?

- Não mude de assunto!!!

- Você conseguiu me tirar do sério! Não quer dormir? Ótimo! Estou saindo.

- Onde você vai?

- Dormir em algum lugar tranquilo.

- Ah, eu sabia! Você só queria uma desculpa para me trair. Bem que minha mãe me avisou que você não prestava...

- Eu não vou aguentar outra ceninha.

- É mesmo? E vai fazer o quê?

- Não me provoque. Meu dia foi péssimo e eu não estou com paciência hoje.

- Como se o meu dia tivesse sido uma maravilha também! Acabei de descobrir que a pessoa pela qual me dediquei todos esses anos não me ama mais.

- Eu amo você... mas receio estar com uma vontade enorme de te matar neste exato momento.

- Como é? Me ama, mas quer me matar? Que raios de amor é esse?

- Olha que não é má idéia...

- Você está me assustando!

- Creio que já tenho a prova de amor perfeita para lhe dar.

- Não estou gostando nada dessa estória e muito menos dessa expressão no seu rosto. Ei! Para que você precisa dessa arma? Abaixe isso agora mesmo.

- Vou te livrar da pior coisa que lhe aconteceu na vida.

- Não faça isso, pelo amor de Deus! Pense em nós e em tudo o que vivemos!

- Sua mãe estava certa, eu não presto.

- Não é verdade... Calma! Vamos conversar...

- Mas já estamos fazendo isso, benzinho.

- Não faça essa besteira. Não se mate. Prometo que não vamos mais brigar.

- Me matar? Por que você achou que eu faria isso?

- É que... você disse... disse que ia se livrar da pior coisa que havia me acontecido... então, eu pensei que...

- Pensou errado. A pior coisa que lhe aconteceu na vida foi ter nascido.

...



- Boa noite.



Simone Batista

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