Era uma manhã chuvosa. A neblina densa encobria todo o céu da pequena vila. Não havia viva alma pelas ruas. As pessoas dormiam tranqüilamente, talvez algumas sonhassem com um dia de sol numa praia paradisíaca, outras, no entanto, olhavam a chuva fina que caía pelas suas janelas com o olhar perdido numa melancolia profunda. Mas nesse momento, alguém sorria feliz.
Na última casa da rua, uma jovem de tranças negras rodopiava de alegria. Seu pai acabara de falecer e o corpo ainda repousava inerte sobre a cama. Seu riso ecoava pelas paredes frias da sala. Não haveria mais gritos, surras ou abusos. Passados longos vinte e sete anos, finalmente chegara o tão esperado dia e a única coisa que conseguia fazer era rir, rir muito, até não poder mais. Neste ínterim, ouve-se um choro. Ela voltou-se na direção do barulho e viu seu filho de apenas três anos parado no topo da escada com o olhar estarrecido como de quem não acredita no que acaba de ver. Sem o mínimo de compaixão ela saiu pela porta para não mais voltar. A criança entendeu que não veria mais a sua mãe. Desceu as escadas e correu para a rua a fim de encontrá-la. Por ainda não ter uma percepção aguçada, não notou que um carro em alta velocidade vinha em sua direção. Em poucos instantes seu corpinho franzino jazia morto no chão. A mãe viu toda a cena ao longe, mas por haver prometido a si mesma que nunca mais se prenderia a algo ou a alguém, continuou a caminhar sem se importar com seu único filho ali atirado ao chão como um pobre indigente...
Simone Batista
Na última casa da rua, uma jovem de tranças negras rodopiava de alegria. Seu pai acabara de falecer e o corpo ainda repousava inerte sobre a cama. Seu riso ecoava pelas paredes frias da sala. Não haveria mais gritos, surras ou abusos. Passados longos vinte e sete anos, finalmente chegara o tão esperado dia e a única coisa que conseguia fazer era rir, rir muito, até não poder mais. Neste ínterim, ouve-se um choro. Ela voltou-se na direção do barulho e viu seu filho de apenas três anos parado no topo da escada com o olhar estarrecido como de quem não acredita no que acaba de ver. Sem o mínimo de compaixão ela saiu pela porta para não mais voltar. A criança entendeu que não veria mais a sua mãe. Desceu as escadas e correu para a rua a fim de encontrá-la. Por ainda não ter uma percepção aguçada, não notou que um carro em alta velocidade vinha em sua direção. Em poucos instantes seu corpinho franzino jazia morto no chão. A mãe viu toda a cena ao longe, mas por haver prometido a si mesma que nunca mais se prenderia a algo ou a alguém, continuou a caminhar sem se importar com seu único filho ali atirado ao chão como um pobre indigente...
Simone Batista


Nenhum comentário:
Postar um comentário